A língua
portuguesa foi, nos séculos XVI, XVII e XVII , a língua dos negócios nas costas do
Oceanos Índico, em função da expansão colonial e comercial portuguesa.
O português foi usado, naquela época, não somente nas cidades asiáticas conquistadas
pelos portugueses, mas também por muitos governantes locais nos seus contatos com outros
estrangeiros poderosos (holandeses, ingleses, dinamarqueses, etc).
No Ceilão, por exemplo, o português foi usado para todos os contatos entre os europeus e
a população nativa; vários reis do Ceilão falavam fluentemente esta língua e nomes
portugueses eram comuns na nobreza.
Quando os holandeses ocuparam a costa do Ceilão, principalmente sob as ordens de Van
Goens, eles tomaram medidas para parar o uso da língua portuguesa. Porém, ele estava
tão entranhado entre os habitantes do Ceilão que até mesmo as famílias dos burgueses
holandeses começaram a usar a língua portuguesa.
Em 1704, o governador Cornelius Jan Simonsz falava que : "se você fala
português no Ceilão, você é entendido em todo lugar".
Também na cidade de Batávia, capital da Holanda Oriental (atual Jakarta), o português
foi a língua falada nos séculos XVII e XVIII.
As missões religiosas contribuíram para esta grande expansão da língua portuguesa.
Isto porque desde que as comunidades se convertiam ao catolicismo, elas adotavam o
português como língua materna. Também as missões protestantes (holandeses,
dinamarqueses, ingleses ...) que trabalharam na Índia foram forçados a usar o português
como a língua de evangelização.
A língua portuguesa também influenciou várias línguas orientais.
Muitas palavras portuguesas foram incorporadas por vários idiomas orientais, como as da
Índia, do suaili, malaio, indonésio, bengali, japonês, os várias do Ceilão, o
tetum de Timor, africâner da África do Sul, etc.
Além disso, onde a presença portuguesa era preponderante ou mais duradoura, cresceram as
comunidades de "casados" e "mestiços" que adotaram uma variedade de
língua mãe: uma espécie de Creoule português. O que restou hoje é muito pouco.
Entretanto é interessante notar que, neste sentido, existem pequenas comunidades de
pessoas espalhadas por toda a Ásia que continuam a usar o "creoule" português,
embora não tenham mais contatos com Portugal, em alguns casos, durante séculos.
Outro aspecto interessante é que durante o período mais importante da presença
portuguesa na Ásia, não havia mais do que 12.000 a 14.000 portugueses, incluindo os
religiosos.
Azul:
Comunidades que falam Portugues atualmente na Asia.
Vermelho: Comunidades que
falavam o Portugues na Asia.
AS COMUNIDADES QUE FALAM PORTUGUÊS ATUALMENTE:
Malacca: (Portuguese Settlement, Praya Lane,
Bandara Hilir).
Cerca de 1000 pessoas falam esta espécie de "creole" (Papia Kristang). Cerca de
80 % dos antigos habitantes da colonia portuguesa em Malacca falam Kristang, que
também é falado atualmente em Singapora e Kuala Lumpur. Kristang é muito parecido com o
malaio local na sua estrutura gramatical, mas 95% do seu vocabulário deriva do
português.
Não muito tempo tempo atrás o português também era falado em Pulau Tikus (Penang) mas
agora é considerado extinto.
A comunidade eurasiana tem 12.000 membros na Peninsula Malaia .
Activo é MPEA (Malacca
Portuguese Eurasian Association) e SPEMA (Secretariat of the Portuguese/Eurasian
Malaysian Associations) com 7 associações dos seus membros em Alor Star, Penang,
Perak, Malacca (MPEA), Kuala Lumpur, Seremban e Johor Baru. Ha também em Singapura uma
associaçao Eurasiatica.
Malaca se separou do domínio português em 1641.
Korlai: (perto de Chaul, India).
Cerca de 900 pessoas falam o creole português e esta comunidade tem a sua igreja chamada:
"Igreja de Nossa Senhora do Monte Carmelo"
Chaul se separou do domínio português em 1740.
Damão: (Damão Grande ou Praça, Campo dos
Remédios, Jumprim, Damão da Cima).
Cerca de 2000 pessoas falam esta espécie de Creole Português.
Damão se separou do domínio português em Dezembro de 1961.
Ceilão: [Burgueses Portugueses em Batticaloa
(Koolavaddy, Mamangam, Uppodai, Dutch Bar, Akkaraipattu); Trincomalee (Palayuttu);
comunidades Kaffir de Mannar e Puttalam ].
Atualmente é apenas usado entre as 250 famílias em suas casas em Batticaloa até 1984.
Muitos emigraram para a Austrália. Ainda há 100 famílias em Batticaloa e Trincomalee e
cerca de 80 famílias Afro-Sinhalese (Kaffir) em Puttalam.
Quase extinta.
Em Batticaloa existe o Clube de Recreio"Shamrock" or "Batticaloa Catholic
Burgher Union".
Ha uma pequena comunidade de descendentes portugues na aldeia de WahaKotte (circa
7°42'N. - 80°36'E) (Centro do Sri Lanka, seis quilometros de Galewala estrada entre
Galewala e Matale), eles são Catolicos Romanos, mas são acerca de dois geracão que
Creole Português não é falado.
Ceilão se separou do domínio português em 1658.
Macau:
Cerca de 2.000 pessoas fala o português como sua primeira língua, e perto de 11.500 como
sua segunda língua.
Apenas poucas mulheres idosas falam o Macauense um Creole Macau-Português.
O "Instituto Cultural de Macau" e a "Fundação do Oriente" estão
funcionando.
Existe também um canal de TV e vários jornais voltados inteiramente para o
português.
Macau em 20 de Dezembro de 1999 voltou a fazer parte da China.
Hong Kong:
Centenas de pessoas falam o MACAUENSE. Quase todas são emigrantes de Macau.
Nunca foi colonia portuguesa.
Goa:
O idioma português está desaparecendo rapidamente de Goa. Atualmente ele é falado por
um pequeno setor das famílias mais abastadas e apenas 3 a 5 % da populaçãio continua
falando-o (estima-se de 30.000 a 50.000 pessoas).
Atualmente 35% da população de Goa são imigraantes de outros estados indianos.
Nas escolas da Índia ele é ensinado como a terceira língua (não obrigatória). Existe
um departamento de Português na Universidade de Goa, mas a "Fundação do
Oriente" e a Sociedade de Amizade Indo-Portuguesa ainda estão em funcionamento. O
último jornal em língua protuguesa foi publicado na década de 80.
Em Panaji muitos cartazes em português ainda são visíveis em lojas, edifícios
públicos, etc.
Goa se separou do domínio português em Dezembro de 1961.
Diu:
Aqui o idioma creole protuguês está quase extinto.
Diu se separou do domínio português em Dezembro de 1961.
Timor Leste:
Os que falavam o português em 1950 não ultrapassavam a 10.000 pessoas e em 1974 apenas
10% a 20% da população.
Em 1975: O Timor Leste tinha 700 000 habitantes dos quais : 35 a 70 000 sabiam ler e
escrever em português e 100 a 140 000 podiam falar e entender esta língua.
Até1981, o português foi a língua da Igreja de Timor, quando foi substituído pelo
Tetum.
Entretanto ele é comumente usado como idioma de negócios na cidade de Dili.
O português permaneceu como a língua da resistência anti-Indonésia e de comunicação
externa da Igreja Católica.
O português criole de Timor (Português de Bidau) hoje está praticamente extinto. Ele é
falado próximo a Dili, Lifau e Bidau.
Indonesia invadiu o Timor Leste em 1975. Entretanto, nenhuma nação reconheceu esta
anexação militar. A lingua oficial de Timor-Leste está o português.
Flores island: (Larantuka, Sikka)
Aqui o português sobrevive nas tradições religiosas e na comunidadeTopasses (os
descendentes dos homens portugueses com as mulheres nativas) utilizam-no nas suas preces.
Aos sábados, as mulheres de Larantuka rezam o rosário numa forma corrompida de
português.
Na área de Sikka, no Leste de Flores, muitas pessoas são descendentes de
portugueses e ainda (???) usam esta língua.
Existe uma Confraria chamada de "Reinja Rosari".
Portugal retirou-se em 1859.
ATÉ POUCOS ANOS ATRÁS, COMUNIDADES QUE FALAVAM O
PORTUGUÊS EXISTIAM EM:
Ceilão: (O Creole Português era falado pela
comunidade burguesa holandesa )
Até o início do século XX, o creole português era falado pelos membros desta
comunidade.
Até depois da Segunda Guerra Mundial, os católicos do Sri Lanka, em Colombo se reuniam
nas missas faladas em português (como a igreja de Santo Antônio, em Dematagoda).
Após a segunda metade deste século, parte destes católicos tão antigos começaram a
freqüentar missas em grupos cada vez menores nas igrejas católicas na cidade
(Dematagoda, Hulftsdorp, Kotahena, Kotte, Nugegoda e Wellawatte). Embora era uma língua
falada, o português estáva perdendo rapidamente a sua importância original nos
serviços religiosos nas igrejas católicas (sendo substituído pelo inglês mais moderno
e mais procurado).
Jakarta-Batavia-Tugu:(um subúrbio de Jakarta).
Aqui, até o início do século XX uma espécie de português corrompido ainda era falado
pela população cristã em Tugu. O último habitante que falava creole morreu em 1978.
Nunca esteve sob domínio de Portugal.
Cochim: (Vypeen).
Desapareceu nos últimos 20 anos. A comunidade portuguesa/hindu (2.000 pessoas) frequenta
a velha igeja de Nossa Senhora da Esperança.
Portugal retirou-se de Cochim em 1663.
Vypeen
(Cochin), igreja de Nossa Senhora da Esperança. Drawing by Ram '99.
Bombaim or do Norte: (Baçaim, Salsette, Thana,
Chevai, Mahim, Tecelaria, Dadar, Parel, Cavel, Bandora-Badra, Govai, Morol, Andheri,
Versova, Malvan, Manori, Mazagão)
Em 1906, este Creole foi, depois do Ceilão, o dialeto indo-português mais importante.
Em1906 ainda existia perto de 5.000 pessoas que falavam o Creole Português como,língua
materna, e 2.000 estavam em Bombaim e Mahim, 1.000 estavam em Bandora, 500 em Thana, 100
em Curla, 50 em Baçaim e 1.000 em outras vilas. Não existia, naquela época, escolas em
creole-português e as classes mais ricas substituiram-no pelo inglês. (Costa, Dalgado)
Coromandel: (Meliapore, Madras, Tuticorin,
Cuddalore, Karikal, Pondicherry, Tranquebar, Manapar, Negapatam ..)
Na costa de Coromandel, os descendentes dos portugueses são geralmente conhecidos como
"Topasses", eram católicos e falavam o creole português. Com a chegada do
domínio inglês na Índia, eles começaram a falar a língua inglesa em lugar do
português e também alglicizaram seus nomes. Atualmente fazem parte da comunidade
aurasiana.
Em Negapatam, em 1883, ainda existiam 20 famílias que falavam o indo-português.
(Schuchardt, Dalgado)
DESAPARECEU JÁ HÁ MUITOS ANOS:
Solor & Adonara: Solor, Adonara (Vure)
Ilha de Java -Batávia: (comunidade holandesa de
Batávia, Mardijkers) Os Mardijkers são os descendentes dos antigos escravos de Malacca,
Bengal, Coromandel, Malabar, que foram convertidos ao Protestantismo quando libertados.
Eles falavam uma espécie de creole-português e eram o ramo principal da comunidade
portuguesa da Batávia. Depois da conquista holandesa de Malacca e do Ceilão eles
cresceram consideravelmente. Em 1673, foi construída uma igreja protestante, para a
comunidade portuguesa na Batávia e depois, no século XVII, uma segunda igreja foi
construída. Em 1713, esta comunidade tinha cerca de 4.000 membros. < Lopes >
Até 1750, o português foi a primeira língua na Batávia, porém, depois o malaio passou
a dominar.
Em 1808, o reverendo Engelbrecht celebrou a última missa em português. Em 1816, a
comunidade portuguesa foi incorporada pela comunidade malaia.
Também entre as famílias holandesas da Batávia, a língua portuguesa foi intensamente
usada até 1750, apesar dos esforços do Governo Holandês contra o seu uso.
Mangalore:
Cannanore:
Bengala: (Balasore, Pipli, Chandernagore,
Chittagong, Midnapore, Hugli )
A língua portuguesa foi, nos séculos XVII e XVIII, a "lingua franca" em
Bengala. Depois de 1811, o português era usado em todas as igrejas cristãs (católicas e
protestantes) de Calcutá. No início do século XX, apenas umas poucas famílias falavam
uma forma corrompida de português misturadas com muitas palavras da língua inglesa.
(Campos)
Moluccas: (Ternate, Ambon, Banda, Makasar)
TERNATENO, um creole Português que foi falado nas ilhas de Ternate e West Halmahera,
atualmente está extinto.
AMBON, aqui o português sobrevive na língua actualmente falada o Malayu-Ambom, o que
contem cerca de 350 termos de origem portuguesa.
Nas
costas da Índia, existiam cerca de 44 comunidades onde o português era falado.