As ilhas de São Tomé e Príncipe situam-se no Golfo da Guiné,
imediatamente ao norte do Equador. Pode-se chegar por via aérea a este arquipélago a
partir de Lisboa, Libreville (Gabão) e Luanda. O acesso mais cómodo a São Tomé é pela
Companhia Aérea belga SABENA, a partir de Bruxelas para Libreville, e voando depois numa
avioneta da Companhia Equatorial para a cidade de São Tomé.
A ilha principal, São Tomé, fica a 280 km
a oeste de Libreville e a menor, Príncipe, situa-se aproximadamente a 140 km a nordeste
da ilha principal. As duas ilhas juntas constituem uma superfície de 1001 km² e têm uma
população de 114000, a maioria dos quais negros, cujos antepassados para aqui foram
levados como escravos pelos portugueses. Há aproximadamente 15% de mulatos de Cabo Verde
e um grupo restante de portugueses. Um meio milénio de domínio colonial português
marcou as duas ilhas e a sua população.
Depois da saída do avião, o viajante
enche-se de ar quente e húmido. Alta humidade atmosférica e temperaturas, que quase
nunca descem abaixo dos 25° na costa caracterizam o clima. O verde exuberante da
vegetação e o mau estado de conservação arquitectónica das casas e ruas são as
primeiras impressões que saltam à vista. É evidente que não foram tomadas medidas de
manutenção após a independência. Assim a circulação nas ruas e estradas torna-se
numa digressão em ziguezague.
A maior cidade e capital do arquipélago é
São Tomé com 20000 habitantes. É de notar que a vista da cidade é pejada fortemente
pelos militares e polícias. Não se trata somente de soldados locais mas também de um
contingente angolano de mil homens.
O Palácio Presidencial, que não deve ser
fotografado, possui uma equipa de sentinelas equipada com farda de camuflagem que
apresenta a baioneta. Antes do render da guarda, ouve-se um sinal de trompete que obriga
todos os transeuntes a ficarem parados. A mesma atenção compete às testemunhas oculares
da fila de viaturas do Presidente da República, passando pelas ruas. Este Presidente não
tem somente um cordão de dois lados de seu recinto, mas faz celebrar um culto pessoal de
si mesmo. Desta maneira, o retrato do Presidente Pinto da Costa encontra-se pendurado em
muitas lojas.
O estado de abastecimento da população
deixa a desejar. É verdade que o mercado da capital oferece produtos agrícolas locais,
mas o comércio a retalho tem somente poucos produtos de procura elevada ao dispor da
clientela. Apenas na Loja Franca - equivalente ao Intershop na RDA - se pode adquirir
objectos de qualidade, pagando em dólares norte-americanos.
Um outro oásis da oferta de produtos do
mundo ocidental constitui o único hotel de quatro estrelas, Miramar. Pertence a uma
cadeia hoteleira suíça e é chefiado por um suíço, o Sr. Furrer. Também aqui o
serviço de pagamentos efectua-se apenas em moeda convertível. Para garantir o alto
nível do hotel muitas mercadorias são importadas da República da África do Sul e da
Namíbia. Este hotel, que oferece muito aos seus hóspedes, funciona ao mesmo tempo como
centro de informação turística. Assim, são oferecidas várias voltas da ilha e, em
colaboração com Equatorial, excursões aéreas para Príncipe. O Hotel Miramar é
frequentado por hóspedes ricos de Libreville e é o ponto de encontro dos cooperantes da
União Soviética, de Cuba, da RDA, Suíça, França, Itália, dos Países Baixos, de
Portugal e da Espanha. As Nações Unidas disponibilizam também cooperantes através do
Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), da Organização Mundial da
Saúde (OMS) e da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura
(FAO). O centro de actividades situa-se nos ramos da educação, formação profissional,
na melhoria da situação sanitária e na diversificação da agricultura. É a RDA que
treina desta maneira, por meio duma Brigada de Amizade da Juventude Comunista Alemã
(FDJ), pedreiras e pedreiros.
O objectivo do Governo é uma maior
diversificação da gama de oferta agrícola. Quer-se sair da monocultura do cacau.
Presentemente as plantações de cacau rendem ainda 90% do valor de exportação . Além
disso, há pequenas quantidades de copra, café e óleo de palma destinadas à
exportação. A produção de cacau tem descido fortemente devido à fuga dos
especialistas portugueses no ano de 1975. A nacionalização das plantações - chamadas
roças - não melhorou o rendimento. Há poucos anos que o Governo se esforça com um
programa de reestruturação no sentido de conceder mais possibilidades de desenvolvimento
à iniciativa privada. Entretanto há algumas roças com directoria privada. Uma parte das
lojas tem novamente um homem de negócios privado. A roça Agua Izé possui, por exemplo,
uma forma de propriedade mista. Esta tem mais êxito que os empreendimentos agrícolas
puramente estatais.
A par do aumento do cultivo de legumes,
arroz, milho, mandioca, bananas e outros alimentos base, planeia-se a extensão do
turismo. O clima quente, a paisagem com uma vegetação sempre-verde, praias poucas
frequentadas, cascatas e chaminés de vulcões e, não menos importante, os ilhéus
amigáveis, são pressupostos favoráveis ao turismo.
Para o fomento deste ramo da economia
precisa-se de uma restauraçäo e ampliação da rede rodoviária sobre as duas ilhas, a
construção de um porto em águas profundas e uma melhor conexão com a rede aérea
internacional em Libreville.
Do meu ponto de vista, o pequeno Estado
não pode sobreviver sem ajuda do exterior. Uma incorporação de São Tomé e Príncipe
na União Aduaneira e Económica da África Central (UDEAC) resultaria numa vantagem para
o Estado insular na aceitação do Franco CFA, garantido pela Tesouraria da França. São
Tomé e Príncipe deveria seguir o exemplo da Guiné Equatorial vizinha que faz parte da
Zona CFA desde 1985.
Uma alternativa para a época, após ter
alcançado uma solução pacífica no Sudoeste da África, seria uma associação ou uma
reunião de São Tomé e Príncipe com a República de Angola, país irmão também de
língua portuguesa.
© March 1990 by Dietrich Köster,
D-53115 Bonn |