Os Estados-Membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)
Resolução dos Chefes de Estado e de Governo na Cimeira de Díli no dia 23 de julho de 2014
(por ordem alfabética portuguesa)
Por Dietrich Köster.
1. República de Angola / África
Republik Angola / Afrika
Republic of Angola / Africa
République d’Angola / Afrique
República de Angola / África
Repubblica dell’Angola / Africa
Republiek van Angola / Afrika
2. República Federativa do Brasil / América do Sul
Föderative Republik Brasilien / Südamerika
Federal Republic of Brazil / South America
République fédérative du Brésil / Amérique du Sud
República Federativa del Brasil / América del Sur
Repubblica Federativa del Brasile / America del Sud
Federale Republiek van Brasilië / Suid-Amerika
3. República de Cabo Verde / África
Republik Cabo Verde / Afrika
Republic of Cabo Verde / Africa
République de Cabo Verde / Afrique
República de Cabo Verde / África
Repubblica di Capo Verde / Africa
Republiek van Kaap Verde / Afrika
4. República da Guiné-Bissau / África
Republik Guinea-Bissau / Afrika
Republic of Guinea-Bissau / Africa
République de Guinée-Bissau / Afrique
República de Guinea-Bisáu / África
Repubblica di Guinea-Bissau / Africa
Republiek van Guinee-Bissau / Afrika
5. República da Guiné Equatorial / África
Republik Äquatorialguinea / Afrika
Republic of Equatorial Guinea / Africa
République de la Guinée équatoriale / Afrique
República de Guinea Ecuatorial / África
Repubblica della Guinea Equatoriale / Africa
Republiek van Ekwatoriaal-Guinee / Afrika
6. República de Moçambique / África
Republik Mosambik / Afrika
Republic of Mozambique / Africa
République du Mozambique / Afrique
República de Mozambique / África
Repubblica del Mozambico / Africa
Republiek van Mosambiek / Afrika
7. República Portuguesa / Europa
Portugiesische Republik / Europa
Portuguese Republic / Europe
République portugaise / Europe
República Portuguesa / Europa
Repubblica Portoghese / Europa
Portugese Republiek / Europa
8. República Democrática de São Tomé e Príncipe / África
Demokratische Republik São Tomé und Príncipe / Afrika
Democratic Republic of São Tomé and Príncipe / Africa
République démocratique de São Tomé-et-Príncipe / Afrique
República Democrática de Santo Tomé y Príncipe / África
Repubblica Democratica di São Tomé e Príncipe / Africa
Demokratiese Republiek van São Tomé en Príncipe / Afrika
9. República Democrática de Timor-Leste / Ásia
Demokratische Republik Timor-Leste (Osttimor) / Asien
Democratic Republic of Timor-Leste (East Timor) / Asia
République démocratique du Timor oriental / Asie
República Democrática de Timor Oriental / Asia
Repubblica Democratica di Timor Est / Asia
Demokratiese Republiek van Oos-Timor / Asië
O sul do Brasil actual (os Estados do Rio Grande do Sul, de Santa Catarina e do Paraná) era uma zona em litígio durante o século XVIII entre as duas potências coloniais: a Espanha e Portugal. Em 1778 foi estabelecido um acordo entre estas nações resultando numa atribuição da costa do Golfo da Guiné, incluindo as ilhas de Fernão do Pó e Ano Bom, aos espanhóis. Em contrapartida, os espanhóis desistiram das reivindicações do sul do Brasil actual.
Esta área era pouco povoada. Por esta razão o perigo de ocupação estrangeira subsistiu mesmo após a independência da Argentina libertada do domínio colonial espanhol. A ameaça continuou também após a independência do Brasil, quando o príncipe herdeiro português se proclamou como Dom Pedro I Imperador do Brasil. A sua consorte a Imperatriz Dona Leopoldina – filha do Imperador Francisco II da Áustria – promoveu energicamente a emigração de gente dos vários territórios de língua alemã da Europa Central. Esta emigração, que se dirigia a partir do 25 de Julho de 1824 ao sul do Brasil, era uma contribuição importante para a defesa e o fortalecimento das fronteiras meridionais do Império do Brasil.
Neste ano de 2024 comemora-se o bicentenário da imigração alemã para o Brasil. A história dos colonos de língua alemã começou assim:
O primeiro grupo de colonos veio da região das montanhas da Renânia Hunsrueck fundando São Leopoldo em 1824. Desbravou a floresta virgem criando roças de tamanho médio (70 hectares) sem empregar escravos como mão-de-obra.
Com a ajuda de artesãos imigrados neste Vale dos Sinos desenvolveu-se Novo Hamburgo num centro da indústria de calçado, que é hoje a mais importante em todo o Brasil.
A história da colonização alemã no Estado do Rio Grande do Sul é documentada no Parque do Imigrante em Nova Petrópolis, um município com teuto-brasileiros a 90%. Em São Leopoldo o Museu dos Imigrantes fica a cargo do Professor Telmo Lauro Müller.
Nos meados do século XIX a povoação de Blumenau foi fundada pelo Doutor Blumenau, originário do então ducado de Brunsvique. Pomeranos estabeleceram-se na localidade de Pomerode, uma denotação, que indica que gente desta terra alemã (Pomerânia) desbravou a selva. Hoje em dia é conhecida como a cidade mais alemã do Brasil.
A cidade de Blumenau evoluiu no primeiro centro de indústria têxtil de toda a América Latina com a empresa Hering como a firma mais importante.
Os descendentes dos imigrantes alemães desta cidade festejam, desde vários anos, uma festa da cerveja Oktoberfest (Festa de Outubro) segundo o modelo de Munique, capital da Baviera.
Em 1843 foi fundada a cidade de Petrópolis como residência de verão imperial com o apoio do engenheiro alemão Köhler. Em 1845 chegaram os primeiros colonos alemães. Os nomes dos diferentes bairros de Petrópolis lembram as regiões e localidades de onde vieram os habitantes: Renânia, Mosela, Simméria/Simmern, Castelânea/Kastellaun, Bingen, Ingelheim, Darmstadt.
O regulamento von der Heydtsches Reskript, que indicava abusos na vida laboral do Brasil, conduzia a uma diminuição temporária da cifra de imigrantes da Prússia, o Estado maior da Alemanha na altura.
Para a primeira geração de colonos a vida era muito dura. Tudo dependia da própria iniciativa dos indivíduos e da comunidade dos emigrantes. O Estado brasileiro não cuidava de nada. Era por necessidade, que os colonos criaram as suas próprias escolas e instituições culturais. A língua portuguesa tinha ainda um papel pouco importante, porque os colonos ficaram bastante isolados do resto do Brasil.
Enquanto que nos anos 20 do século XX existia uma pequena onda de emigração alemã não somente para o sul do país, mas também para as grandes cidades como São Paulo e Rio de Janeiro os anos 30 viram sobretudo uma entrada de judeus perseguidos pelo regime nacional-socialista da Alemanha e Áustria.
Foi assim que a cidade de Rolândia no Estado do Paraná foi fundada por judeus alemães nesta altura.
Com a Presidência de Getúlio Vargas (1930-45) o sistema escolar privado dos colonos alemães devia-se mudar sob a pressão da política de nacionalização para escolas públicas de orientação brasileira nacional.
Em 1940 aconteceu com a ocupação militar da França pela Alemanha nazista algo muito extraordinário:
Milhares de pessoas perseguidas pelo nazismo pediram um visto de entrada em Portugal no Consulado de Portugal em Bordéus no sudoeste da França. Foram o cônsul Aristides de Sousa Mendes e os seus colaboradores, que emitiram 30.000 vistos sem autorização do então Presidente do Conselho de Ministros, acumulando na altura a pasta de Ministro dos Negócios Estrangeiros António de Oliveira Salazar. Com estes vistos os perseguidos podiam refugiar-se para o Ultramar a partir de Lisboa. Uma boa parte tinha a oportunidade de emigrar para o Brasil, país que tinha em 1940 ainda o estado de potência neutra. Milhares de vidas foram assim salvas.
Uma exposição homenageando o ex-cônsul português foi inaugurada a 21 de Setembro de 2004 e foi acessível até o dia 23 de Outubro deste ano, na Biblioteca Nacional em Lisboa.
Durante a Segunda Guerra Mundial – o Brasil enviou como único país ibero-americano um corpo expedicionário ao teatro da guerra na Europa (Itália) – era proibido no Brasil falar o alemão em público.
Após o fim das hostilidades, a situação desanuviou-se e uma nova onda de migração alemã, ainda que fosse pequena, dirigiu-se para o Brasil, esta vez pessoas perseguidas pelos nazistas e antigos nazistas receando agora uma punição por causa de crimes de guerra.
Além disso, dois grupos são a distinguir:
Os mennonitas (provenientes da Rússia) e os suevos do Danúbio (Donauschwaben), que se refugiaram da antiga Iugoslávia em 1945. Uns e outros estabeleceram povoações próprias no Estado do Paraná na intenção de praticar a agricultura. Esta actividade tornou-se entretanto num grande sucesso e modelo para os outros paranaenses.
Por outro lado, começou já nos anos 30, uma migração de pessoal qualificado da Alemanha ajudando a constituição da indústria brasileira, sobretudo no sul e sudeste do Brasil. Hoje em dia, a região de São Paulo é a parte mais industrializada do Brasil e o local onde a economia alemã continua a investir mais que em qualquer outra parte do mundo.
Segundo as estimativas partiram 250.000 emigrantes alemães durante os últimos 200 anos, com uma descendência actual de 5 milhões de brasileiros de origem alemã. Mas é de notar que nem todos são fluentes na língua alemã.
Copyright junho de 2024 por Dietrich Köster, D-53113 Bona
Escrito por Marco Ramerini. Tradução feita por Márcia Siqueira de Carvalho
Os portos franceses na Normandia, especialmente o de Rouen e Dieppe, onde no século XVI estava estabelecida uma indústria têxtil florescente que se tornava a principal atividade econômica que competia com Portugal pelo mercado brasileiro. Atentos à presença de vastas florestas com “Pau Brasil” (usado no tingimento de tecidos) no litoral brasileiro, os franceses logo estabeleceram relações comerciais com os indígenas. A primeira viagem data de 1503-1504, quando a embarcação “Espoir” chegou às costas brasileiras. Após este primeiro contato, multiplicaram-se as expedições.
Em 1531, dois navios franceses e 120 homens sob o comando de Jean Dupéret, aportaram nas costas brasileiras. Na ilha de Santo Aleixo (próximo de Recife), chamada pelos franceses de “Ile Saint-Alexis”, eles construíram um forte e uma feitoria comercial. Esta feitoria francesa teve vida breve. Os portugueses capturaram os navios franceses na sua viagem de volta à Europa e em dezembro de 1531 sitiaram o forte francês até a rendição.
Os franceses fizeram três outras tentativas para se estabelecerem no Brasil. A primeira delas foi no Rio de Janeiro (1555-1560), a segunda em Ibiapaba-Ceará (1590-1604), e a terceira em São Luís do Maranhão (1612-1615).
A FRANÇA ANTÁRTICA 1555-1560
Na década de 1550, a região de Cabo Frio até o Rio de Janeiro estava mais sob o controle dos franceses do que sob o domínio dos portugueses. Por quase cinco anos, entre 1555 e 1560, os franceses mantiveram um forte numa pequena ilha na Baía de Guanabara (Rio de Janeiro): o Forte Coligny.
O calvinista Nicolas Durand de Villegagnon foi enviado ao Brasil em 1555 para marcar a presença francesa naquele lugar. Em 14 de agosto de 1555, com três navios, 600 marinheiros e colonos, ele partiu em direção ao Brasil.
A Ilha de Villegaignon sob ataque Português (1560)
A expedição francesa chegou entre 10-15 de novembro de 1555, na Baía de Guanabara e desembarcaram numa ilha deserta, a atual ilha de Villegagnon. Nela foi construído o Forte Coligny e logo estabeleceram boas relações com os indígenas que lá habitavam. Os membros desta primeira expedição eram quase todos da Bretanha e da Normandia e subdividiam-se entre Católicos e Protestantes.
Pouco tempo depois, em março de 1556, chegou uma segunda expedição composta de três navios e 190 homens. A colônia teve um bom desenvolvimento, mas as normas intolerantes e rigorosas de Villegagnon paralisaram o crescimento do promissor núcleo francês. As regras opressoras de Villegagnon obrigaram uma boa parte dos colonos a abandonarem o local. Entre eles, alguns huguenotes que voltaram para a França, onde suas denúncias levaram à desistência de uma expedição de 700 a 800 colonos que estava sendo organizada.
Em 1559, Villegagnon também voltou à França, deixando o comendo da colônia para seu sobrinho Bois-le-Comte. Portugal que não estava disposto a tolerar a presença francesa em suas terras, enviou uma expedição de 120 portugueses e 1.000 índios, sob as ordens de Mem de Sá, Governador Geral do Brasil (1558-1570), que em 16 de março de 1560, após dois dias e duas noites de um enfrentamento encarniçado, destruiu a colônia francesa. Os 70 sobreviventes franceses e seus 800 índios aliados, desmoralizados, abandonaram o forte e se refugiaram entre outros indígenas.
Como W.J. Eccles escreveu em seu livro “France in America”: “For a century, French traders had challenged the Portuguese hold on this vast region, with little or no aid from the Crown. But for religious dissension at Rio de Janeiro, and the unfortunate character of Villegagnon, France rather than Portugal might well have established a vast empire in South America.” Traduzindo, “Durante um século, os comerciantes franceses desafiaram os portugueses nesta vasta região, com pequena ou nenhuma ajuda da Coroa. Mas por causa da dissenção religiosa no Rio de Janeiro, e do péssimo caráter de Villegagnon, a França, mais do que Portugal, poderia ter fincado bases de um grande império na América do Sul.
IBIAPABA 1590-1604
Em 1590, sob o comando de Adolf Montbille, uma expedição francesa se estabeleceu em Ibiapaba (Viçosa-Ceará), onde os franceses fundaram uma feitoria e um forte, e comercializavam “pau brasil” com os índios que habitavam o núcleo comercial francês.
Os franceses viveram em paz com os indígenas por 14 anos, mas em 1604 uma expedição portuguesa chefiada por Pero Coelho atacou a colônia e após uma batalha violenta, foçaram os franceses a se renderem.
SÃO LUÍS DO MARANHÃO 1612-1615
Em 19 de março de 1612, três navios franceses partiram do porto francês de Canacale em direção ao Maranhão. Esses navios eram: “Regent” sob o comendo de Rasilly e La Ravardière, “Charlotte” comandado pelo Barão de Sancy e o “Sainte-Anne”.
Em 24 de junho os navios chegaram à Ilha de Fernando de Noronha onde permaneceram até 8 de julho. Lá eles encontraram um português e 17 ou 18 escravos indígenas. Todos eles foram levados para o Maranhão. Em 29 de julho, os franceses alcançaram a ilha “Pequena do Maranhão”, que se encontrava deserta. Esta ilha foi batizada pelos franceses como Ilha de Santana (Sainte-Anne). De lá os franceses se deslocaram para a ilha “Grande do Maranhão” onde eles encontraram alguns navios de Dieppe e de Le Havre com 400 franceses que comerciavam com os indígenas. Nesta ilha os capuchinhos construíram o convento de São Francisco (Sainte Françoise) e perto dele, um forte chamado Forte São Luís (Saint-Louis). Em 20 de dezembro de 1612, uma capela religiosa foi inaugurada.
São Luis do Maranhão (1629) por Albernaz
Ali os franceses viveram em paz por quase dois anos. Em 1613, os líderes do assentamento resolveram retornar à França em busca de reforços. Após algumas tentativas junto à Corte, eles começaram a preparar uma expedição mais próspera. Na Páscoa de 1614, o navio “Regent” com 300 franceses partiram na direção do Maranhão. Em 14 de junho, o navio passou em frente do forte português do Ceará, and em 18 de junho a expedição chegava ao “Buraco das Tartarugas” ou Jaracoará onde havia outro forte português. Apesar dos obstáculos, os reforços franceses chegaram a salvo no Maranhão.
Reconhecendo a presença contínua dos navios na região, os portugueses construíram vários fortes para controlar a costa com o intuito de acabar com o comércio francês. Em 1611 ou 1612, os portugueses haviam fundado o forte do Ceará, chamado Nossa Senhora do Amparo; em agosto de 1613, eles haviam fundado também o forte de Jaracoará, chamado Nossa Senhora do Rosário.
Em 26 de outubro de 1614, uma tropa portuguesa de 500 homens (portugueses e índios), chegou à terra-firme, perto dos assentamento franceses, com o objetivo de os expulsar. Os portugueses acamparam em Guaxenduba onde construíram um acampamento fortificado, chamado Forte de Santa Maria. Os franceses do Maranhão, sendo superiores em número, decidiram tomar a iniciativa e em 19 de novembro de 1614, com 7 navios, 50 canhões e o reforço de 200 franceses e 1.500 índios atacaram o forte português. O ataque se transformou, porém, numa derrota esmagadora para os franceses.
Em 27 de novembro de 1614, foi assinado um armistício de duração de um ano, com o objetivo de permitir ao rei da França e da Espanha estabelecer uma saída diplomática. Também decidiu-se enviar emissários franceses e portugueses à Europa para explicar a questão. Então, em 16 de dezembro de 1614, o navio “Regent”, partiu para a Europa tendo a bordo emissários portugueses e franceses. Os resultados desta missão não são bem conhecidos.
Porém os reforços franceses para o Maranhão nunca chegaram. Entretanto, em 1º de novembro de 1615, uma frota portuguesa de 9 navios e de várias centenas de homens, sob o comando de Alexandre de Moura, chegou aos assentamentos franceses. Os portugueses aportaram na ilha “Grande do Maranhão” e entrincheiraram-se na altura de São Francisco. O forte foi chamado de “Quartel de São Francisco”. Em 3 de novembro de 1615, os franceses já desmoralizados, se renderam sem lutas.
BIBLIOGRAFIA:
– Parkman, Francis “Pioneers of France in the New World” University of Nebraska Press, 1996
– Daher, Andréa “Les Singularités de la France Équinoxiale : Histoire de la mission des pères capucins au Brésil (1612-1615)” Préface de Roger Chartier., Paris, Champion, coll. « Les Géographies du Monde », 2002, 346 p.
– Thevet, André “Les singularités de la France antartique” 1558, new ed. (Paul Gaffarel, ed.) 1878