Os Estados-Membros da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP)
Resolução dos Chefes de Estado e de Governo na Cimeira de Díli no dia 23 de julho de 2014
(por ordem alfabética portuguesa)
Por Dietrich Köster.
1. República de Angola / África
Republik Angola / Afrika
Republic of Angola / Africa
République d’Angola / Afrique
República de Angola / África
Repubblica dell’Angola / Africa
Republiek van Angola / Afrika
2. República Federativa do Brasil / América do Sul
Föderative Republik Brasilien / Südamerika
Federal Republic of Brazil / South America
République fédérative du Brésil / Amérique du Sud
República Federativa del Brasil / América del Sur
Repubblica Federativa del Brasile / America del Sud
Federale Republiek van Brasilië / Suid-Amerika
3. República de Cabo Verde / África
Republik Cabo Verde / Afrika
Republic of Cabo Verde / Africa
République de Cabo Verde / Afrique
República de Cabo Verde / África
Repubblica di Capo Verde / Africa
Republiek van Kaap Verde / Afrika
4. República da Guiné-Bissau / África
Republik Guinea-Bissau / Afrika
Republic of Guinea-Bissau / Africa
République de Guinée-Bissau / Afrique
República de Guinea-Bisáu / África
Repubblica di Guinea-Bissau / Africa
Republiek van Guinee-Bissau / Afrika
5. República da Guiné Equatorial / África
Republik Äquatorialguinea / Afrika
Republic of Equatorial Guinea / Africa
République de la Guinée équatoriale / Afrique
República de Guinea Ecuatorial / África
Repubblica della Guinea Equatoriale / Africa
Republiek van Ekwatoriaal-Guinee / Afrika
6. República de Moçambique / África
Republik Mosambik / Afrika
Republic of Mozambique / Africa
République du Mozambique / Afrique
República de Mozambique / África
Repubblica del Mozambico / Africa
Republiek van Mosambiek / Afrika
7. República Portuguesa / Europa
Portugiesische Republik / Europa
Portuguese Republic / Europe
République portugaise / Europe
República Portuguesa / Europa
Repubblica Portoghese / Europa
Portugese Republiek / Europa
8. República Democrática de São Tomé e Príncipe / África
Demokratische Republik São Tomé und Príncipe / Afrika
Democratic Republic of São Tomé and Príncipe / Africa
République démocratique de São Tomé-et-Príncipe / Afrique
República Democrática de Santo Tomé y Príncipe / África
Repubblica Democratica di São Tomé e Príncipe / Africa
Demokratiese Republiek van São Tomé en Príncipe / Afrika
9. República Democrática de Timor-Leste / Ásia
Demokratische Republik Timor-Leste (Osttimor) / Asien
Democratic Republic of Timor-Leste (East Timor) / Asia
République démocratique du Timor oriental / Asie
República Democrática de Timor Oriental / Asia
Repubblica Democratica di Timor Est / Asia
Demokratiese Republiek van Oos-Timor / Asië
Até a invasão das tropas de Nehru em Dezembro de 1961 o português era a língua oficial. Esta situação mudou a favor do inglês após a anexação. As línguas autóctones Concani em Goa e Gujerati em Damão e Diu desempenham um papel secundário na vida pública. Mesmo em Goa durante o Estado da Índia Portuguesa existiam mais escolas de ensino médio com o inglês como língua de instrução que escolas com o português como língua de ensino. Desde a anexação de Goa o português é oferecido apenas em algumas escolas como uma matéria de segunda ou terceira língua.
O último diário publicado em língua portuguesa transformou-se no início de 1984 num jornal de língua inglesa por completo. Assim “O Heraldo” tornou-se em “Herald”. O diário “A Vida” cessou de aparecer completamente. Hoje existem somente jornais em línguas inglesa e indiana. A única leitura em português que eu pude comprar numa livraria foi uma série de cinco volumes de livros didáticos para a aprendizagem da língua portuguesa “UM PASSO NOVO”. Além disso, existe a oportunidade de estudar o português na Universidade de Goa. A pessoa designada pelo Instituto Camões, o leitor Doutor Lume, falou de cerca de 60 estudantes, dos quais ele tinha de cuidar.
A presença oficial portuguesa em Goa é hoje limitada a um Consulado-Geral e uma sucursal recém-inaugurada da Fundação do Oriente. O exercício da língua portuguesa na vida quotidiana é hoje limitada essencialmente à parte cristã da velha geração local.
Macau
Com 97% da população os chineses possuem a esmagadora maioria, seguido de 2% de portugueses. Estes últimos são muitas vezes enviados de Portugal para um período determinado para trabalhar na administração pública e na educação. Até 1991 o português era a única língua oficial. Desde aquele ano o chinês tem o mesmo estatuto. Enquanto que é possível na prática em todos os lugares de fazer-se compreendido em chinês, é apenas realizável em português somente de forma limitada. O inglês faz concorrência como lingua de negócios à língua oficial de origem europeia, simplesmente por causa da proximidade de Hong Kong. Neste contexto a administração portuguesa de Macau omitiu muito no passado. Apenas nas poucas escolas portuguesas e escolas luso-chinesas o ensino da língua portuguesa é uma disciplina obrigatória. Nas numerosas escolas chinesas o português é oferecido apenas como uma matéria facultativa. A pesar disso todos os editais e os anúncios – mesmo das lojas – são sempre realizados em ambas as línguas oficiais. O ponto fraco uma vez reconhecida tenta-se de contrapor nos últimos anos através do aumento da formação de professores de português na educação de adultos. O Centro de Difusão de Línguas e o Instituto Português do Oriente (IPOR) tentam de remediar à falta de conhecimento do português pela população.
Timor Português – Timor-Leste
Mesmo a geração mais jovem que não tenha testemunhado a invasão indonésia em 1975 está engajada com a autodeterminação e independência de Timor-Leste, embora a maioria dos jovens têm pouco ou nenhum conhecimento do português. O novo sistema de ensino não prevê a instrução nesse idioma. Em lugar disso todos os alunos têm de aprender o idioma malaio, quer dizer a língua Bahasa Indonésia. O único grupo de pessoas que acolheram a integração pelo governo indonésio eram os migrantes que foram enviados pelo governo de Jacarta no âmbito do programa de reassentamento “Transmigrasi” para Timor-Leste. Este grupo de pessoas falando em contraste com a geração mais velha e média timorense nenhuma palavra de português, de modo que eles são fáceis de detectar como imigrantes dum país não-lusofono. Eles substituíram uma parte não-negligenciável dos homens de negócios chineses, que refugiaram-se para a Austrália em 1975.
Todos os anúncios e toda a publicação são realizados em Bahasa Indonésia. Não há publicações geralmente acessíveis em português. Apenas os nomes das ruas foram assumidos do período português, agora precedidos pela denominação rua ou avenida emprestada da língua Bahasa Indonésia “jalan”. A única outra memória é a existência de vários monumentos em Díli com inscrição portuguesa. Um deles é uma recordação do quinto centenário da morte do Infante Dom Henrique em 1960.
Como uma personalidade marcante encontrei o padre Eduardo Brito da paróquia de Balide da Igreja Católica em Díli. Ele veio de Margão/Goa em um grupo de 40 sacerdotes para Timor Português em 1947. Apenas três sacerdotes ainda estão vivos e continuam a ser ativos na sua pátria adotiva. Para os muitos anos de serviço o padre Brito foi homenageado em 1995 pelo governador José Abílio Osório Soares e já colocando-o durante a sua vida um monumento com o seu busto.
Timor-Leste/Timor Português foi colonizado por Portugal, a partir dos princípios do século XVI. Esta presença durou até Agosto de 1975, período em que se iniciou uma guerra civil entre dois partidos políticos timorenses lutando pelo poder.
Nesta altura o pessoal português de administração e os membros portugueses da tropa – encabeçados pelo governador português, o então Coronel Mário Lemos Pires – retiraram-se para a ilha adjacente de Ataúro em busca de refúgio.
No dia 7 de Dezembro de 1975, de forma cruel, Timor-Leste foi invadido militarmente numa acção conjunta dos três ramos das forças armadas da Indonésia.
Quase 24 anos depois o regime de ocupação indonésio acabou depois da Consulta Popular, organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU), a 30 de Agosto de 1999. A independência, promovida por esta organização, foi realizada a 20 de Maio de 2002.
2. A política linguística da potência colonial portuguesa até 1975
Durante todo o período colonial português a língua portuguesa tinha um papel eminente. Toda a administração se servia do português como única língua de comunicação oral e escrita. A língua de ensino em todos os estabelecimentos escolares era também exclusivamente o português. Esta atitude perante a língua portuguesa fez parte da política ultramarina de assimilação linguística e cultural do período colonial.
3. A política linguística da FRETILIN 1974-78
Pouco depois da fundação da Frente Revolucionária de Timor-Leste Independente (FRETILIN) no ano de 1974 começaram os cursos de alfabetização, ministrados em língua tétum, a língua local mais importante. Estes cursos acabaram já em 1978 por causa do perigo de serem detectados pelos militares ocupantes indonésios. Por outro lado, a liderança deste partido continuou considerar o português como língua oficial.
4. A política linguística da potência ocupante indonésia 1975-99
Com a invasão indonésia, na forma de uma agressão combinada dos três ramos das forças armadas indonésias, a política linguística mudou completa e abruptamente. A língua indonésia, ou seja, o Bahasa Indonesia – uma língua artificial baseada na lingua malaia -, foi introduzida em todos os domínios da vida pública. A língua exclusiva das autoridades tornou-se o indonésio. Nas escolas todas as disciplinas eram dadas em indonésio. A maioria dos professores eram transmigrantes, sobretudo da ilha de Java, a ilha mais importante e mais povoada da Indonésia. A língua portuguesa foi proibida. Para os novos senhores da ocupação, o português era considerado como uma língua suspeita, porque não a conheciam e não queriam aprendê-la. Foi a razão pela qual o português foi excluído da vida pública em 1981. A única lingua aceite e ensinada a par do indonésio era o inglês, leccionado como língua estrangeira nas escolas secundárias.
Todas as novas inscrições eram em indonésio, se bem que os nomes das ruas continuassem a serem denominados na maneira portuguesa, antepondo a designação indonésia “jalan” para “rua”.
O resultado deste período de ocupação foi o seguinte:
A maioria dos habitantes com menos de 35 anos tem poucos conhecimentos da língua portuguesa, mas possui um bom domínio da língua indonésia. Há mesmo uma certa rejeição a aprender mais uma nova língua que não é de origem local.
Em 1992 a última escola com português como língua de ensino, o Externato de São José – uma escola da Igreja Católica – teve de fechar as suas portas. Somente os seminários menores e o maior desta igreja puderam continuar com o ensino do português. Mas a língua portuguesa foi abolida da missa sob pressão dos ocupantes a favor do tétum, a língua local mais conhecida.
5. O começo duma nova era após a Consulta Popular: a discussão da questão linguística
Com quatro línguas de relevância, Timor-Leste tem uma problemática delicada. São as línguas tétum, portuguesa, indonésia e inglesa que fazem concorrência entre si:
A língua nacional mais conhecida e bem enraizada é o tétum falado por aproximadamente 80% da população. A língua oficial tradicional durante séculos foi o português, que é falado actualmente só por 15% da população escolarizada durante o período em que o país foi uma província ultramarina portuguesa ou uma colónia, ainda que 77% da população em idade escolar frequentasse os vários graus de ensino no ano lectivo de 1973-74. Contudo um conhecimento passivo da língua portuguesa caracteriza uma grande parte da população graças ao imponente elemento português na língua tétum, hoje falada pela maioria dos leste-timorenses. De facto é impossível que um timorense tetumófono nada perceba de uma conversa ou um discurso em português.
A actual elite política sempre conservou os seus conhecimentos activos da língua portuguesa. A liderança da guerrilha FALINTIL sempre apostou no português como a língua que unisse todos os leste-timorenses.
A língua dos invasores indonésios, o Bahasa Indonesia é bastante bem conhecida pela nova geração por causa da alta percentagem de escolarização durante o regime indonésio. Esta camada etária gostaria de continuar com o indonésio como língua de comunicação geral.
Finalmente, o inglês é considerado como um meio de comunicação internacional por pessoas da nova geração, útil para fazer uma carreira profissional. Esta língua goza dum prestígio, que foi reforçado pela presença dos membros da Administração Transitória das Nações Unidas. Estas pessoas utilizavam o inglês.
6. A alocução do Professor Geoffrey Hull por ocasião do Congresso Nacional do CNRT em 2000
Foi o professor australiano Geoffrey Hull, da Universidade de Western Sydney, que deu um grande impulso à reintrodução da língua portuguesa graças a uma comunicação proferida por ocasião do Congresso Nacional do Conselho Nacional da Resistência Timorense (CNRT) no dia 25 de Agosto de 2000. Afirmou que a língua principal nacional de Timor-Leste, o tétum, só se poderia desenvolver juntamente com o português. São estas duas línguas que garantiam, juntamente com a fé cristã, a identidade nacional de Timor-Leste.
Em contrapartida, o inglês seria pouco apropriado como língua oficial, porque esta língua aspira sempre por um papel dominador ameaçando as línguas locais. A Austrália, as Filipinas e Malta são exemplos de assassínio linguístico.
Por outro lado, o Bahasa Indonesia estaria inevitavelmente associado para a população leste-timorense, após 24 anos de genocídio, ao terror e à brutalidade. Assim, esta língua não poderia servir de língua oficial.
Após esta alocução, o Congresso Nacional do CNRT decidiu introduzir o português como língua oficial na futura República Democrática de Timor-Leste.
7. As disposições da Constituição da República Democrática de Timor-Leste relativas às línguas
Artigo 13
(Línguas oficiais e línguas nacionais)
1. O tétum e o português são as línguas oficiais da República Democrática de Timor-Leste. 2. O tétum e as outras línguas nacionais são valorizadas e desenvolvidas pelo Estado.
Artigo 159
(Línguas de trabalho)
A língua indonésia e a inglesa são línguas de trabalho em uso na administração pública a par das línguas oficiais, enquanto tal se mostrar necessário.
8. O apoio português na reintrodução da língua portuguesa
Contactos oficiosos entre o Instituto Camões de Portugal e o CNRT, antes de 30 de Agosto de 1999, foram transformados em contactos oficiais imediatamente depois da Consulta Popular, por meio de acordos entre o Ministério dos Negócios Estrangeiros de Portugal conjuntamente com o Ministério da Educação de Portugal e o CNRT, os dois Governos Transitórios e o primeiro Governo Constitucional respectivamente. Estes prevêem o envio de 145 professores para o ensino da língua portuguesa e de outras disciplinas em língua portuguesa. Este corpo docente está espalhado pelas escolas dos 13 distritos de Timor-Leste, variando entre 3 professores para Aileu e 49 para Díli. A coordenação é realizada pela Adida de Educação da Embaixada de Portugal.
Por outro lado, o Instituto Camões disponibiliza 16 formadores (incluindo a coordenadora), que fazem parte do Centro de Língua Portuguesa (CLP) ensinando português como língua especializada em cursos extracurriculares. Estes cursos dirigem-se sobretudo aos membros da administração pública de Timor-Leste, como por exemplo, os colaboradores dos vários ministérios, da Academia da Polícia, do Quartel dos Bombeiros, dos tribunais, dos Serviços Centrais da Administração, da Comissão do Plano, do Banco Nacional Ultramarino.
Existiam em Fevereiro de 2002 59 turmas com 1250 inscritos, com uma média de 21 alunos por turma, dos níveis de iniciação, elementar, intermédio e avançado.
As entidades privadas são também encorajadas a fazer solicitações para o estabelecimento de cursos especialmente organizados para elas, com um mínimo de 10 participantes.
Os membros do Ministério dos Negócios Estrangeiros são obrigados a participar, de segunda a sexta-feira, das 9 às 10 e das 17 às 18 horas nos cursos de conversação de português.
15 docentes universitários dão aulas para os estudantes que abrangem o estudo de língua portuguesa e culturas lusófonas na forma de licenciatura estabelecida recentemente na Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTIL).
Além disso, há 7 professores portugueses que preparam os alunos que acabaram o curso de escola secundária para a frequência dum estudo numa universidade em Portugal. Os docentes foram destacados pela Fundação das Universidades Portuguesas (FUP).
Finalmente, há cursos gerais de aprendizagem da língua portuguesa para todos os estudantes interessados. Assim, foram instituídas turmas para 5000 participantes.
O núcleo de promoção de todas as actividades de ensino do português é o Centro de Língua Portuguesa (CLP), fazendo parte da Universidade Nacional de Timor-Leste (UNTIL) e sendo apoiado e financiado pelo Instituto Camões.
9. A introdução da língua portuguesa nas escolas primária e secundária
A Escola Primária abrange os primeiros seis anos de escolaridade. No ano lectivo 2001/2002, as disciplinas eram ministradas, nos primeiros três anos do ciclo básico, em lingua portuguesa de manhã. A lingua tétum servia como língua auxiliar oral, caso houvesse problemas de compreensão. Cada ano lectivo é adicionada mais uma classe com a língua portuguesa como meio de ensino.
De tarde, os professores leste-timorenses frequentavam um curso de aperfeiçoamento na língua portuguesa leccionado pelos professores chegados de Portugal e distribuídos pelos 13 distritos de Timor-Leste.
Enquanto na Escola Primária o progresso da introdução da língua portuguesa avança cada ano mais, em detrimento da língua indonésia, as aulas da Escola Pré-Secundária (7. ao 9. ano) e as da Escola Secundária (10. ao 12. Ano) ainda continuam geralmente a serem dadas em língua indonésia. Por outro lado, existem já aulas intensivas de língua portuguesa como disciplina para todos os alunos, dadas por professores de Portugal.
Os primeiros livros vieram de Macau, território português até fins de 1999, mas, entretanto, a maioria dos livros escolares para os alunos são publicações impressas em Portugal. Suplementarmente todos os professores receberam uma “Mala Pedagógica” com vários livros, como ferramenta útil de ensino da língua portuguesa.
10. A introdução do português na Universidade Nacional de Timor-Leste
Na UNTIL a língua indonésia é ainda o meio de comunicação dominante. Mas com os cursos de língua portuguesa oferecidos a milhares de estudantes, os conhecimentos do português aumentam cada vez mais. Até agora a língua utilizada depende do docente. No caso de professores lusófonos pode ser feita uma tradução para a língua tétum. Em princípio pode dizer-se que o número de cursos dados em português tem vindo a subir.
11. A introdução do português como língua oficial
A partir do Dia da Independência todos os documentos deveriam estar redigidos ou em língua portuguesa ou em língua tétum. Caso haja a necessidade, podem utilizar-se ainda as línguas inglesa ou indonésia como línguas de trabalho. Actas importantes realizadas durante o período da Administração Transitória das Nações Unidas (Novembro de 1999 até Maio de 2002) devem ser traduzidas pelo menos do inglês para o português.
12. Medidas de apoio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC)
1. Desenvolvimento Empresarial e Formação Profissional em Timor-Leste
É um centro de formação profissional do ramo técnico no Bairro Becora da capital Díli que foi inaugurado pelo ministro brasileiro das Relações Exteriores Celso Lafer a 21 de Maio de 2002, o dia depois da independência. Os cursos são dados em português com tétum como língua auxiliar oral.
2. Alfabetização Comunitária em Timor-Leste
Trata-se de cursos de alfabetização em todos os distritos de Timor-Leste para adultos com métodos introduzidos à base de experiências feitas no Nordeste do Brasil. Ensina-se tudo em português, mas com tétum como meio auxiliar oral.
3. Formação de Professores e Alunos com Recurso da Educação à Distância em Timor-Leste
Neste curso utilizam-se meios modernos do audio-visual como cassetes áudio e vídeo, bem como livros de texto tradicionais para jovens e adultos nos ensinos primário e pré-secundário. Além disso, tenciona-se formar professores leigos em exercício para o ensino primário. O programa brasileiro de “Parâmetros em Ação” procura aperfeiçoar professores na sala de aula. Nos cursos utiliza-se a língua portuguesa com o tétum como fala auxiliar oral.
13. Perspectivas de reintrodução da língua portuguesa em Timor-Leste
Graças ao generoso apoio português, a reintrodução da língua portuguesa está cada vez mais em expansão. No planeamento do Instituto Camões espera-se que pelo menos um em cada dois leste-timorenses seja fluente na língua portuguesa dentro dum prazo de dez anos.
Com a adesão de Timor-Leste à Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a 31 de Julho de 2002, os laços com os países de língua oficial portuguesa fortalecerá ainda mais a lusofonia de Timor-Leste.
BIBLIOGRAFIA:
– Tavares Esperança, João Paulo, Estudos de Linguística Timorense, SUL – Associação de Cooperação para o Desenvolvimento, com o Apoio do Comissariado para o Apoio à Transição em Timor. Aveiro 2001, ISBN 972-97343-1-X
– Camões, Revista de Letras e Culturas Lusófonas, número 14 – Timor Lorosa’e, Julho-Setembro de 2001, Instituto Camões, Lisboa 2002, ISSN 0874-3029
– Tinoco. Jacinto, Não haverá unidade nacional sem unidade linguística, em: Boletim de Notícias, Associação Cultural Luso-Timorense, Edição número 3, pág. 1, Díli Abril de 2002
– Hull, Geoffrey, Timór-Lorosa’e, Identidade, Lian no Polítika Edukasionál/Timor-Leste, Identidade, Língua e Política Educacional, Instituto Camões, Lisboa 2001
– Thomaz, Luís Filipe F.R., Babel Loro Sa’e, O Problema Linguístico de Timor-Leste, Colecção Cadernos Camões, Instituto Camões, Lisboa 2002
– Dietrich Köster (Bona), Política linguística de Timor-Leste: a reintrodução do português como língua oficial e de ensino, Lusorama, 57-58, Francoforte do Meno Maio de 2004, pág. 172-179, ISSN 0931-9484
– Dietrich Köster (Deutsche Gesellschaft für die afrikanischen Staaten portugiesischer Sprache), Política linguística de Timor-Leste: a reintrodução do português como língua oficial e de ensino, ESTUDOS DE LÍNGUAS E CULTURAS DE TIMOR-LESTE/Studies in Languages and Cultures of East Timor, número 6, 2004, pág. 1-7, INSTITUTO NACIONAL de LINGUÍSTICA da Universidade Nacional Timor Lorosa’e, ISSN 1441-1105
– LUSOPHONIE IN GESCHICHTE UND GEGENWART, Festschrift für Helmut Siepmann zum 65. Geburtstag, editado por Richard Baum e António Dinis, Dietrich Köster, Política linguística de Timor-Leste: a reintrodução do português como língua oficial e de ensino, pág. 123-129, Bona 2003, ISBN 3-86143-145-9 e ISSN 0178-8515
Escrito por Marco Ramerini. Tradução feita por Márcia Siqueira de Carvalho. Revisão do texto traduzido por Dietrich Köster.
A língua portuguesa foi nos séculos XVI, XVII e XVIII a língua dos negócios nas costas do Oceano Índico em função da expansão colonial e comercial portuguesa. O português foi usado, naquela época, não somente nas cidades asiáticas conquistadas pelos portugueses, mas também por muitos governantes locais nos seus contatos com outros estrangeiros poderosos (holandeses, ingleses, dinamarqueses, etc).
No Ceilão, por exemplo, o português foi usado para todos os contatos entre os europeus e a população nativa; vários reis do Ceilão falavam fluentemente esta língua e nomes portugueses eram comuns na nobreza. Quando os holandeses ocuparam a costa do Ceilão, principalmente sob as ordens de van Goens, eles tomaram medidas para parar o uso da língua portuguesa. Porém, ele estava tão entranhado entre os habitantes do Ceilão que até mesmo as famílias dos burgueses holandeses começaram a usar a língua portuguesa. Em 1704, o governador Cornelius Jan Simonsz falava que : “se você fala português no Ceilão, você é entendido em todo lugar”.
Também na cidade de Batávia, capital das Índias Orientais Neerlandesas (atual Jakarta), o português foi a língua falada nos séculos XVII e XVIII. As missões religiosas contribuíram para esta grande expansão da língua portuguesa. Isto porque desde que as comunidades se convertiam ao catolicismo, elas adotavam o português como língua materna. Também as missões protestantes (holandeses, dinamarqueses, ingleses …) que trabalharam na Índia foram forçadas a usar o português como a língua de evangelização.
A língua portuguesa também influenciou várias línguas orientais. Muitas palavras portuguesas foram incorporadas por vários idiomas orientais, como os da Índia, o suaíli, malaio, indonésio, bengali, japonês, os vários do Ceilão, o tétum de Timor, o africâner da África do Sul etc.
Além disso, onde a presença portuguesa era preponderante ou mais duradoura, cresceram as comunidades de “casados” e “mestiços” que adotaram uma variedade de língua mãe: uma espécie de crioulo português.
O que restou hoje é muito pouco. Entretanto é interessante notar que, neste sentido, existem pequenas comunidades de pessoas espalhadas por toda a Ásia que continuam a usar o “crioulo” português, embora não tenham mais contatos com Portugal, em alguns casos, durante séculos. Outro aspecto interessante é que durante o período mais importante da presença portuguesa na Ásia, não havia mais do que 12.000 a 14.000 portugueses, incluindo os religiosos.
Comunidades de língua português na Ásia (Azul: lugares atuais onde o Português é falado. Vermelho: lugares onde as comunidades falaram, no passado, Português). Autor Marco Ramerini
AS COMUNIDADES QUE FALAM PORTUGUÊS ATUALMENTE:
Malaca, Malásia: Cerca de 1.000 pessoas falam esta espécie de “crioulo” (Papia Kristang). Cerca de 80 % dos antigos habitantes da colónia portuguesa em Malacca falava Papia Kristang, que também é falado atualmente em Singapura e Kuala Lumpur. Kristang é muito parecido com o malaio local na sua estrutura gramatical, mas 95% do seu vocabulário deriva do português. Não muito tempo atrás o português também era falado em Pulau Tikus (Penang), mas agora é considerado extinto. A comunidade eurasiana tem 12.000 membros na Península Malaia. Activo é MPEA (Malacca Portuguese Eurasian Association) e SPEMA (Secretariat of the Portuguese/Eurasian Malaysian Associations) com 7 associações dos seus membros em Alor Star, Penang, Perak, Malacca (MPEA), Kuala Lumpur, Seremban e Johor Baru. Ha também em Singapura uma associaçao eurasiática. Malaca se separou do domínio português em 1641.
Korlai, Índia: (perto de Chaul). Cerca de 900 pessoas falam o crioulo português e esta comunidade tem a sua igreja chamada: “Igreja de Nossa Senhora do Monte Carmelo” Chaul se separou do domínio português em 1740.
Damão, Índia: (Damão Grande ou Praça, Campo dos Remédios, Jumprim, Damão da Cima). Cerca de 2000 pessoas falam esta espécie de crioulo português. Damão se separou do domínio português em Dezembro de 1961.
Ceilão (Sri Lanka): [Burgueses Portugueses em Batticaloa (Koolavaddy, Mamangam, Uppodai, Dutch Bar, Akkaraipattu); Trincomalee (Palayuttu); comunidades Kaffir de Mannar e Puttalam ]. Foi apenas usado entre as 250 famílias em suas casas em Batticaloa até 1984. Muitos emigraram para a Austrália. Ainda há 100 famílias em Batticaloa e Trincomalee e cerca de 80 famílias afro-singhalesas (Kaffir) em Puttalam. Quase extinta. Em Batticaloa existe o Clube de Recreio “Shamrock” e a “Batticaloa Catholic Burgher Union”. Há uma pequena comunidade de descendentes portugueses na aldeia de Waha Kotte (circa 7°42’N. – 80°36’E) (Centro do Sri Lanka, seis quilómetros de Galewala, estrada entre Galewala e Matale), eles são católicos romanos, mas desde cerca de duas gerações o crioulo português não é mais falado. Ceilão se separou do domínio português em 1658.
Macau: Cerca de 2.000 pessoas falam o português como sua primeira língua e perto de 11.500 como sua segunda língua. Apenas poucas mulheres idosas falam o macaense, um crioulo português de Macau. O “Instituto Cultural de Macau” e a “Fundação do Oriente” estão funcionando. Existe também um canal de TV e vários jornais voltados inteiramente para o português. Em 20 de Dezembro de 1999 Macau voltou a fazer parte da China.
Hong Kong: Centenas de pessoas falam o macaense. Quase todas são emigrantes de Macau. Nunca foi colónia portuguesa.
Goa, Índia: O idioma português está desaparecendo rapidamente de Goa. Atualmente ele é falado por um pequeno setor das famílias mais abastadas. Apenas 3 a 5 % da população continua falando-o (estima-se de 30.000 a 50.000 pessoas). Atualmente 35% da população de Goa são imigrantes de outros estados indianos. Nas escolas da Índia ele é ensinado como terceira língua (não obrigatória). Existe um Departamento de Português na Universidade de Goa e a “Fundação do Oriente” e a Sociedade de Amizade Indo-Portuguesa estão em funcionamento. O último jornal em língua portuguesa foi publicado na década de 1980. Em Panaji muitos cartazes em português ainda são visíveis em lojas, edifícios públicos etc. Goa se separou do domínio português em Dezembro de 1961.
Diu, Índia: Aqui o idioma crioulo português está quase extinto. Diu se separou do domínio português em Dezembro de 1961.
Timor-Leste: Os que falavam o português em 1950 não ultrapassavam 10.000 pessoas e em 1974 apenas 10% a 20% da população. Em 1975 Timor-Leste tinha 700.000 habitantes, dos quais 35 a 70.000 sabiam ler e escrever em português e 100 a 140.000 podiam falar e entender esta língua. Até 1981, o português foi a língua da Igreja Católica de Timor, quando foi substituído pelo tétum. Entretanto ele é comumente usado como idioma de negócios na cidade de Dili. O português permaneceu como a língua da resistência anti-Indonésia e de comunicação externa da Igreja Católica. O português crioulo de Timor (português de Bidau) hoje está praticamente extinto. Ele é falado a Dili, Lifau e Bidau. Indonésia invadiu o Timor-Leste em 1975. Entretanto, nenhuma nação reconheceu esta anexação militar. Timor-Leste tornou-se um estado independente a 20 de Maio de 2002. As línguas oficiais de Timor-Leste são o português e o tétum.
Flores, Indonésia: (Larantuka, Sikka) Aqui o português sobrevive nas tradições religiosas e na comunidade Topasse (os descendentes dos homens portugueses com as mulheres nativas) utilizam-no nas suas preces. Aos sábados, as mulheres de Larantuka rezam o rosário numa forma corrompida de português. Na área de Sikka, no Leste de Flores, muitas pessoas são descendentes de portugueses e ainda (???) usam esta língua. Existe uma Confraria chamada “Reinja Rosari”. Portugal retirou-se em 1859.
ATÉ POUCOS ANOS ATRÁS, COMUNIDADES QUE FALAVAM O PORTUGUÊS EXISTIAM EM:
Ceilão (Sri Lanka): (O crioulo português era falado pela comunidade burguesa holandesa.) Até o início do século XX, o crioulo português era falado pelos membros desta comunidade. Até depois da Segunda Guerra Mundial, os católicos do Sri Lanka, em Colombo se reuniam nas missas faladas em português (como a Igreja de Santo António em Dematagoda). Após a segunda metade deste século, uma parte destes católicos tão velhos começaram a frequentar missas em grupos cada vez menores nas igrejas católicas nas cidades de Dematagoda, Hulftsdorp, Kotahena, Kotte, Nugegoda e Wellawatte. Embora era uma língua falada, o português estava perdendo rapidamente a sua importância original nos serviços religiosos nas igrejas católicas, sendo substituído pelo inglês mais moderno e mais procurado.
Jakarta-Batavia-Tugu, Indonésia: (um subúrbio de Jakarta). Aqui, até o início do século XX uma espécie de português corrompido ainda era falado pela população cristã em Tugu. O último habitante que falava crioulo morreu em 1978. Nunca esteve sob domínio de Portugal.
Cochim, Índia: (Vypeen). Desapareceu nos últimos 20 anos. A comunidade portuguesa/hindu (2.000 pessoas) frequenta a antiga Igreja de Nossa Senhora da Esperança. Portugal retirou-se de Cochim em 1663.
Bombaim ou Província do Norte, Índia: Baçaim, Salsette, Thana, Chevai, Mahim, Tecelaria, Dadar, Parel, Cavel, Bandora-Badra, Govai, Morol, Andheri, Versova, Malvan, Manori, Mazagão. Em 1906 este crioulo foi, depois do Ceilão, o dialeto indo-português mais importante. Em 1906 ainda existiam perto de 5.000 pessoas que falavam o crioulo português como língua materna e 2.000 estavam em Bombaim e Mahim, 1.000 estavam em Bandora, 500 em Thana, 100 em Curla, 50 em Baçaim e 1.000 em outras vilas. Não existiam naquela época escolas em crioulo português e as classes mais ricas substituiram-no pelo inglês. (Costa, Dalgado).
Coromandel, Índia: (Meliapore, Madras, Tuticorin, Cuddalore, Karikal, Pondicherry, Tranquebar, Manapar, Negapatam…..) Na costa de Coromandel, os descendentes dos portugueses são geralmente conhecidos como “topasses”, eram católicos e falavam o crioulo português. Com a chegada do domínio britânico na Índia eles começaram a falar a língua inglesa em lugar do português e também anglicizaram seus nomes. Atualmente fazem parte da comunidade aurasiana. Em Negapatão em 1883 ainda existiam 20 famílias que falavam o indo-português. (Schuchardt, Dalgado)
DESAPARECEU JÁ HÁ MUITOS ANOS:
Solor & Adonara, Indonésia: Solor, Adonara (Vure)
Ilha de Java -Batávia, Indonésia: (comunidade holandesa de Batávia, Mardijkers) Os Mardijkers são os descendentes dos antigos escravos de Malacca, Bengala, Coromandel, Malabar, que foram convertidos ao Protestantismo quando libertados. Eles falavam uma espécie de crioulo português e eram o ramo principal da comunidade portuguesa de Batávia. Depois da conquista holandesa de Malaca e do Ceilão eles cresceram consideravelmente. Em 1673 foi construída uma igreja protestante para a comunidade portuguesa de Batávia e depois no século XVII uma segunda igreja foi construída. Em 1713 esta comunidade tinha cerca de 4.000 membros. < Lopes > Até 1750 o português foi a primeira língua de Batávia, porém, depois o malaio passou a dominar. Em 1808 o reverendo Engelbrecht celebrou a última missa em português. Em 1816 a comunidade portuguesa foi incorporada na comunidade malaia. Também entre as famílias holandesas de Batávia a língua portuguesa foi intensamente usada até 1750, apesar dos esforços do Governo Holandês contra o seu uso.
Mangalore, Índia: Mangalore.
Cannanore, Índia: Cannanore.
Bengala, Índia-Bangladesh: (Balasore, Pipli, Chandernagore, Chittagong, Midnapore, Hugli……) A língua portuguesa foi, nos séculos XVII e XVIII, a “lingua franca” em Bengala. Depois de 1811, o português era usado em todas as igrejas cristãs (católicas e protestantes) de Calcutá. No início do século XX, apenas umas poucas famílias falavam uma forma corrompida de português misturada com muitas palavras da língua inglesa. (Campos)
Moluccas, Indonésia: (Ternate, Ambon, Banda, Makasar) Ternateno, um crioulo português que foi falado nas ilhas de Ternate e West Halmahera, atualmente está extinto. Ambon, aqui o português sobrevive na língua actualmente falada: o Malayu-Ambom, o que contém cerca de 350 termos de origem portuguesa.
Nas costas da Índia existiam cerca de 44 comunidades, onde o português era falado.
BIBLIOGRAFIA:
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Moçambique está situado no sudeste da África no Oceano Índico e possui como países vizinhos a Tanzânia no norte, o Malávi, a Zâmbia, o Zimbabué e a África do Sul no oeste e a Suazilândia e mais uma vez a África do Sul no sul. A República de Moçambique tem 19406703 habitantes (situação em Julho de 2005) sobre uma superfície de 801.590 km². A densidade populacional perfaz 24 habitantes por km².
2.° Os portugueses em Moçambique desde 1498 até 1885
O navegador português Vasco da Gama chegou a Moçambique em 1498 a caminho para a Índia. Durante séculos a influência de Portugal e da língua portuguesa limitava-se ao litoral de quase 3000 km e ao vale do Zambeze.
3.° Os portugueses em Moçambique desde 1885 até 1974
Apenas durante a Conferência de Berlim sobre o Congo, convocada por Bismarck em 1884/85, as potências interessadas em África decidiram que territórios coloniais serão reconhecidos pelo direito público internacional se estes não foram somente descobertos, mas que é exercida também uma autoridade pública de facto por uma estrutura administrativa, polícia e forças armadas. Só agora Portugal deveria ocupar Moçambique de maneira exaustiva territorialmente – no sul de Moçambique pelo uso de força militar – e estabelecer uma administração até ao canto mais remoto do território. Apenas depois da Primeira Guerra Mundial era que Portugal detinha o controle completo sobre Moçambique. Mas foi até 1942 que partes do território ficavam sob domínio de sociedades majestáticas coloniais com competências de soberania conferidas pelo Estado Português.
O número de portugueses como detentores da língua portuguesa deveria subir só de uma maneira lenta. Elevou-se a 187.000 no ano de 1970. A única língua oficial e de ensino durante o domínio português era a língua portuguesa. Este regulamento esteve em vigor também para as escolas missionárias estabelecidas pelas sociedades missionárias cristãs. Os portugueses distinguiram até 1961 na população indígena entre civilizados e não-civilizados. Somente o 1% de civilizados dominava a língua portuguesa oralmente e por escrito. Enquanto que a população europeia fez escolarizar as suas crianças quase totalmente, a percentagem dos analfabetos entre a população negra elevava-se a 97%. Outras pessoas da população maioritária negra possuiam, pelo contacto com portugueses, conhecimentos orais da língua portuguesa. Por ocasião do censo do fim de 1970 a população de Moçambique atingiu 8,233 milhões, entre os quais 187.400 brancos – na maioria esmagadora portugueses – , 39.300 mestiços, 18.400 indianos – sobretudo goeses – e 2.700 chineses, na maioria naturais de Macau.
4.° A política linguística da FRELIMO desde 1962 até 1974
A luta armada de libertação foi introduzida, a partir da Tanzânia com a travessia do rio fronteiriço Rovuma, para o norte de Moçambique e pelo fornecimento de armas da parte do Bloco Oriental. Este combate foi executado depois uma fusão de três organizações em 1962 na Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO) a partir de 1964. Com a excepção de poucos combatentes que tinham um contacto intensivo com a língua inglesa nos países vizinhos, a FRELIMO defendia desde o princípio, o português como laço unificador – língua da unidade nacional – para não fazer surgir uma mentalidade tribal.
5.° A política linguística do Governo da FRELIMO após a independência no dia 25 de Junho de 1975
5.°1.° O português como língua oficial e de ensino
Com a independência política de Moçambique – separando-se da metrópole Portugal – o objectivo pretendido pelo movimento de libertação no poder, a FRELIMO, era a redução do número de analfabetos. Visto que já antes do dia da independência os portugueses – excepto um número restante de mais ou menos 20000 – saíram do país precipitadamente, a FRELIMO dirigiu-se aos Estados do Bloco Oriental. Assim docentes da antiga RDA chegaram para ser empregues como formadores de professores. Desde há vários anos, Portugal coopera na reactivação do sistema escolar. Há pouco a RFA presta também apoio à educação em Moçambique, sobretudo da parte da GTZ (Sociedade Alemã para a Cooperação Técnica/Serviço Administração de Projectos). Todas as medidas de educação são efectuadas em princípio na língua portuguesa. Considerações de escolarizar os alunos moçambicanos em uma língua autóctone existem sob a presidência da Universidade Eduardo Mondlane (UEM) somente na fase de experimentação de pouca envergadura. Apesar de todos os esforços de reduzir o número de analfabetos a quota dos iletrados oscila ainda hoje, à volta de 70%. Todas as instituições estatais servem-se exclusivamente da língua portuguesa. Esta vale para as autoridades, tribunais, polícia e forças armadas. Todas as publicações são redigidas sem excepção em português. Uma outra prática é apenas imaginável em contactos orais com funcionários públicos individuais. Foi expressamente estabelecido no artigo 10 da Constituição de 2004: Na República de Moçambique a língua portuguesa é a língua oficial.
5.°2.° A alfabetização dos adultos e a língua portuguesa
Como a maioria da população vive ainda no campo e a rede escolar é ainda pouco desenvolvida, o número de analfabetos entre os adultos é especialmente grande. Para esta camada populacional existem sempre mais aulas de alfabetização que facilitam no quadro de cursos destinados a principiantes e avançados de nove meses a aprendizagem das bases da língua portuguesa. Quem quer seguir uma carreira escolar regular só tem esta possibilidade acabar com os estudos secundários nas capitais de Província, sobretudo em Maputo, na Beira e em Nampula.
5.°3.° A relevância da imprensa, da rádio e da televisão para a difusão da língua portuguesa
A imprensa está concentrada – com a excepção de um diário de tiragem modesta na Beira – em Maputo, a capital do País. Essencialmente trata-se do diário notícias, do semanário dominical domingo e dos semanários Tempo e SAVANA. Todos estes periódicos são publicados em português e são acessíveis sobretudo aos leitores da capital. Enquanto que a televisão é difundida apenas nas aglomerações urbanas e em língua portuguesa – os filmes de produção estrangeira são projectados no tom original com legendas em português -, serve-se a rádio ao lado do português também das seis línguas regionais mais importantes. Neste contexto cabe um papel destacado à língua changana entre estas línguas autóctones. Em resumo: Pode-se dizer que, exceptuando a rádio, a língua portuguesa detêm também uma posição dominante no quadro dos meios de comunicação social.
5.°4.° O português moçambicano
Antes da independência o português da metrópole era prescrito compulsivamente como norma linguística (língua-padrão) para toda a vida pública no seio da política de assimilação portuguesa. Desta maneira, a política ultramarina na altura tencionava como objectivo a longo prazo transformar todos os moçambicanos linguística e culturalmente em portugueses. Desvios da norma europeia foram considerados com desdém como pretoguês. Esta obrigatoriedade para o respeito da norma da metrópole deveria diminuir com a independência. Agora, palavras das línguas autóctones foram introduzidas no português. A orientação para o sistema político e económico do Bloco Oriental conduziu também para a adopção de novas noções. Com o vento da mudança política no começo da década de 1990 o léxico de uso político deveria ser abandonado parcialmente de novo.
6.° Bibliografia
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– Klett-Handbuch für Reise und Wirtschaft Afrika, publicado pelo Afrika-Verein e.V. de Hamburgo, tomo III Südliches Afrika, capítulo Moçambique, pág. 301-324, 2.ª edição, casa editora Ernst Klett, Estugarda Janeiro de 1975, ISBN 3-12-949020-5
Cabo Verde
denominação oficial: República de Cabo Verde
capital: Cidade da Praia
língua: A língua oficial é o Português, utilizando-se localmente o Crioulo.
número de habitantes: 530.000
superfície: 4.036 km²
unidade monetária: Escudo de Cabo Verde (CVE)
dia da independência: 5 de Julho de 1975
Guiné-Bissau
denominação oficial: República da Guiné-Bissau
capital: Bissau
língua: A língua oficial é o Português, utilizando-se localmente o Crioulo, Mandjaco, Mandinga, entre outros.
número de habitantes: 1.696.000
superfície: 36.100 km²
unidade monetária: Franco CFA da África Ocidental (XOF)
dia da independência: 10 de Setembro de 1974
Guiné Equatorial
denominação oficial: República da Guiné Equatorial
capital: Malabo
língua: As línguas oficiais são o Espanhol, o Francês e o Português; fala-se regionalmente Fang, Bube e Anobonense.
número de habitantes: 676.000
superfície: 28.050 km²
unidade monetária: Franco CFA centro-africano (XAF)
dia da independência: 12 de Outubro de 1968
Ilha de Gorée, Senegal
São Tomé e Príncipe
denominação oficial: República Democrática de São Tomé e Príncipe
capital: São Tomé
língua: A língua oficial é o Português. Localmente, também se fala Crioulo.
número de habitantes: 158.000
superfície: 1.001 km²
unidade monetária: Dobra (STD)
dia da independência: 12 de Julho de 1975
Angola
denominação oficial: República de Angola
capital: Luanda
língua: A língua oficial é o Português. São falados outros idiomas, sobretudo o Umbundo, Kimbundo, Kikongo e Tchokwé.
número de habitantes: 16.949.000
superfície: 1.246.000 km²
unidade monetária: Kwanza (AOA)
dia da independência: 11 de Novembro de 1975
Moçambique
denominação oficial: República de Moçambique
capital: Maputo
língua: A língua oficial é o Português. Há numerosas línguas nacionais, como o Changane, Lomué, Shona, Tsonga, Chicheva e Macua.
número de habitantes: 21.372.000
superfície: 799.000 km²
unidade monetária: Metical (MZN)
dia da independência: 25 de Junho de 1975
Compilado com a base de dados da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e do Fischer Weltalmanach 2010 e por meio de conhecimentos próprios.
Veja também: As Independências do Ultramar Português
Escrito por Marco Ramerini. Tradução feita por Dietrich Köster.
Após a conquista da fortaleza árabe de Ceuta em Marrocos em 1415 os portugueses foram os primeiros europeus a explorar a costa africana e na década de 1460 eles construíram o primeiro forte em Arguim (Mauritânia). 1482 foi o ano da construção do castelo de São Jorge da Mina na Costa do Ouro (Gana). Em 1487 o explorador português Bartolomeu Diaz dobrou o Cabo da Boa Esperança e em 1497 Vasco da Gama circumnavegou o continente africano e chegou à Índia (1498).
Os portugueses dominaram incontestavelmente a costa africana durante os séculos XV e XVI. Os assentamentos portugueses em África foram usadas pelos navios portugueses como estações de fornecimento na rota para a Índia, mas também eram estações comerciais, onde os portugueses fizeram negócios de ouro, escravos e especiarias com os africanos e o idioma português foi usado como língua franca ao longo das costas de África.
Agora o português é falado em vários países da África, principalmente nas ex-colónias portuguesas: É a língua oficial em Moçambique, Angola, São Tomé e Príncipe, na Guiné-Bissau e em Cabo Verde. Uma espécie de crioulo português é usado no Senegal, na Guiné-Bissau, em Cabo Verde, em São Tomé e Príncipe e também na Guiné Equatorial. Uma grande comunidade de portugueses de Portugal, Angola e Moçambique reside na África do Sul.
O idioma português também influenciou várias línguas africanas. Muitas palavras portuguesas foram permanentemente emprestadas a vários tipos de línguas africanas como o suaíli e o africâner.
COSTA DA ÁFRICA OCIDENTAL E ILHAS DE CABO VERDE
No século XVI ao longo da costa do Senegal, da Gâmbia e da Guiné o assentamento de vários grupos de comerciantes portugueses e de Lançados (mestiços) contribuíram para a difusão da língua portuguesa nessas áreas. Hoje um crioulo português é ainda falado em Casamança (crioulo de Ziguinchor), na Gâmbia e na Guiné-Bissau (crioulos de Bissau-Bolama, Bafatá e Cacheu), seu nome local sendo Kriol. Esta linguagem é a primeira língua crioula, que surgiu a partir do contato entre europeus e os povos africanos.
Na Guiné-Bissau o Kriol é a língua nacional e o português é a língua oficial. As Ilhas de Cabo Verde foram uma colónia portuguesa até 1975 e assim o português é hoje a língua oficial do arquipélago. O crioulo de Cabo Verde é falado por toda a população e é semelhante ao da Guiné-Bissau e da Casamança. O português é a segunda língua para muitas pessoas.
Cabo Verde: Para 350.000 caboverdianos o crioulo é a primeira língua (1990), enquanto que o português é a segunda língua para a maioria.
Guiné-Bissau: 150.000 falantes de crioulo como primeira língua (1996) e 600.000 usuários do crioulo como segunda língua; 20.000 falantes de português como primeira língua (1991).
Senegal e Gâmbia: 55.000 falantes do crioulo de Ziguinchor na Casamança como primeira língua (1990). O dialeto do Senegal é um pouco diferente que na Guiné-Bissau. Tem algum vocabulário francês.
Comunidades de língua portuguesa na África hoje. Herança da língua Portuguesa em África. Autor Marco Ramerini
GOLFO DA GUINÉ
Uma espécie de português (crioulo) desenvolveu-se ao longo da costa de Gana (Costa do Ouro) e foi falado por comerciantes nativos nos seus negócios com os outros europeus (neerlandeses, ingleses, dinamarqueses, brandenburgueses, franceses, suecos) durante os séculos XVI, XVII e XVIII até mesmo vários anos após o abandono português da Costa do Ouro. Até 1961 Portugal teve um forte em Daomé, hoje chamado Benim. Seu nome é São João Baptista de Ajudá (Ouidah). Aqui o português foi usado nos últimos séculos por uma comunidade de descendentes mistos portugueses. O português foi também utilizado no Reino do Daomé como língua para as relações externas com os outros europeus.
Em algumas ilhas do Golfo da Guiné o crioulo português é falado ainda hoje. Estas ilhas são: as Ilhas de São Tomé e Príncipe (São Tomé e Príncipe) e a Ilha de Anobom (Guiné Equatorial). Sãotomense (Forró) e angolar (Moncó) são falados na Ilha de São Tomé e principense na Ilha do Príncipe. Estes crioulos são bastante distintos dos crioulos de Cabo Verde, da Guiné-Bissau, do Senegal e da Gâmbia.
O português é a língua oficial de São Tomé e Príncipe e é falado como segunda língua pela maioria dos habitantes em 1993, apenas 2.580 pessoas usaram-o como primeira língua. Na ilha de Anobom (Pagalu, Guiné Equatorial) a população fala um tipo particular de crioulo português, chamado anobonense ou Fá d’Ambô, uma rara mistura de dialetos angolanos Bantu e de português antigo, que é semelhante ao de São Tomé. O português tornou-se a terceira língua oficial da Guiné Equatorial desde 20 de julho de 2010.
São Tomé e Príncipe: 85.000 falantes de sãotomense como primeira língua (Ilha de São Tomé), 9.000 falantes de angolar como primeira língua (Ilha de São Tomé) e 4.000 falantes de principense como primeira língua (Ilha do Príncipe) em 1989; 2.580 portugueses falantes de português como primeira língua (1993) e uma grande parte dos habitantes fala o português como segunda língua.
Guiné Equatorial: 8.950 falantes de Anobonense como primeira língua (Ilha de Anobom) em 1993. O português tornou-se a terceira língua oficial da Guiné Equatorial desde 20 de julho de 2010.
ÁFRICA AUSTRAL: Congo, Angola, África do Sul e Moçambique.
Durante o século XVI no Reino do Congo muitas pessoas da classe dominante falavam português fluentemente. Esta lingua foi também o veículo para a propagação do cristianismo. O testemunho de um viajante europeu em 1610 prova que no Soyo todas as crianças aprenderam o português. No Reino do Congo há provada da existência de escolas portuguesas gerenciadas pelos missionários durante os séculos XVII e XVIII. Nos séculos XVI, XVII e XVIII a influência e o uso do português como língua de comércio espalhou-se ao longo da costa do Congo e de Angola de Loango para Benguela.
Em Angola – uma colónia portuguesa até 1975 – o português é a língua oficial e é falado por muitas pessoas. A maioria dos mestiços (em 1995 cerca de 1,5% da população angolana, que resultam em 170.000) fala o português como língua de casa e eles tendem a se identificar com a cultura portuguesa. Em Moçambique – uma outra colónia portuguesa até 1975 – o português é a língua oficial e é falado por muitas pessoas, principalmente como segunda língua. Na África do Sul o português é falado por pessoas de ascendência portuguesa e pelos imigrantes de Angola, Moçambique e Brasil (600.000).
Angola: 57.600 falantes de português como primeira língua (1993) e uma grande parte dos habitantes fala o português como segunda língua.
Moçambique: 30.000 falantes de português como primeira língua e quatro milhões de habitantes falam o português como segunda língua, cerca de 30% da população (1991).
África do Sul: Mais dum meio milhão de falantes de português como primeira língua.
ÁFRICA ORIENTAL: Quênia e Tanzânia.
O português foi usado como língua franca nos séculos XVII e XVIII. Isto foi devido à dominação portuguesa da costa oriental da África até o fim do século XVIII. Mombaça foi mantido até 1698 e uma reocupação breve foi tentada em 1728/1729. Há evidência dada por um tenente britânico que em 1831 um português confuso foi falado por um homem em Mombaça. O contato entre os portugueses e os africanos também influenciou a língua suaíli, que hoje é usada ao longo de toda a costa oriental de África. Há mais de 120 palavras de origem portuguesa na língua suaíli.
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