Ternate (1883-1889), Molucas, Indonésia. Autor Tropenmuseum of the Royal Tropical Institute (KIT). Licensed under the Creative Commons Attribution-Share Alike
Ternate (1883-1889), Molucas, Indonésia. Autor Tropenmuseum of the Royal Tropical Institute (KIT)

O forte português de Ternate

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Escrito por Marco Ramerini

O forte Português de Ternate foi fundado por António de Brito, em 1522, a pedra fundamental da fortaleza foi posta para a festa de São João Batista, 24 de junho de 1522, o forte foi chamado de “São João Baptista de Ternate“. A parede exterior da fortaleza continha um espaço de 26 ou 27 braças (Português) quadrados, a muralha do forte medida 1 braço de espessura, ea torre da fortaleza medida 5 braças ou 40 palmas e era um prédio de dois andares. 1 A fortaleza foi construída pelo Português, onde era a principal cidade do Sultanato de Ternate (Sudoeste da ilha), uma liga do porto principal da ilha, chamado Talangame, onde os navios estavam ancorados. 2

Esta é a descrição da construção do forte feita por Gaspar Correia: …mandou o capitão abrir os alicerces, e elle com toda a gente, sendo dia do bemauenturado são João Bautista, vinte e cinco (O dia é o 24 de junho) dias de julho de 522, foi dita sua missa solene, festejada com muita artilharia dos navios,...” “E foi a primeira huma torre quadrada afastada do mar um jogo de bola, e de ahy correo o muro atrauessando pera a terra espaço de trinta braças, de onde tornou a voltar, fazendo quadra, outras trinta braças, em que se fez outra tal torre, e de ahy voltou à praia, onde fez outro canto, e correu o muro ao longo da praia a çarrar (=encerrar) na primeyra torre, junto da qual fiqou a porta de longo da praia, com sua gorita (=guarita). Assy (=assim) que a obra se foy fazendo com estas duas torres sómente, que depois nas quinas das quadras se fizeram outras taes torres, e no meo (=meio) se fez a torre da menagem grande, e no primeiro sobrado varandas para todas partes, e no sobrado de cyma suas guaritas, e fortemente madeirado, d’onde podiam tirar falcões;… 3

Em 1526, três anos após a construção começou, quando Antonio de Brito deu o comando da fortaleza de Ternate para Henriques Garcia, as obras da fortaleza estavam longe de ser completas, Castanheda nos informa que no lado que olhou para o mar o muro não foi terminado ainda, enquanto que no lado que dava a montanha apenas dois bastiões foram construídos, um de apenas 2 braços de altura eo outro “não tinha feyto mais q os aliceces“, a torre “da managê” foi elevada “xl palmos cõ dous sobrados, & do derradeyro ate ho telhado sem paredes se não cõ caniçadas de canas fédidas forradas desteiras, & disto erão feytos os repartimétos das camaras“, também do mesmo material foram feitas as paredes Feitoria, onde, devido a obras inacabadas podiam se movimentar livremente os porcos e cabras. 4

Em 1537, na época do Governador Português Antonio Galvão, a cidade de Ternate tinha uma população de 123 Português que somados às suas esposas, seus filhos, os escravos e servos, chegou a um total de 1.600 pessoas. 5 Antes do forte Português foi um recife de coral que fazia difícil o acesso aos navios, este recife de coral teve três passos: o primeiro foi chamado de “Lymatao” e foi localizado no extremo sul da cidade “dos mouros”, o canal central foi chamado da “barra d’arvore” porque foi localizado em frente de um alto árvore, o último canal chamado “barra da Nossa Senhora” foi localizado no extremo leste da cidade Portuguesa, cerca de 200 braças (cerca de 440 m.) do forte, em frente à capela dedicada a “Samta Maria“. Durante o governo de Antonio Galvão, os canais central e sul foram fechados com pedras, e foi feito mais navegável a “barra de Nossa Senhora“, que foi feita dois braços (4,40 m.) de profundidade. 6

Em 1537, Galvão começou a construção, ao redor da cidade Portuguesa, de muros, paredes de barro, fossos e muralhas. A Feitoria foi cercada por paredes de barro, e no interior também foram construídos alguns armazéns para armazenar o cravo. Foi fundada a “Casa da Misericórdia“, um moinho de água, que recebeu água de três léguas de distância (entre 12 km e 18 km) através de tubos. Finalmente foi feito um débil tentativo de cultivar arroz, vegetais e cereais, na área ao redor da cidade, também foi iniciada a criação e, finalmente, fundou uma pequena escola para os filhos de pessoas importantes e os portugueses. 7

Outra descrição interessante do Forte Português e da cidade, nos é dado por o “Livro das cidades e fortalezas que a coroa de Portugal tem nas partes da India …” escrito em 1582 a fortaleza foi situada a sul da cidade do sultão, junto ao mar, a um “tiro de espera” da cidade “dos Mouros“, a conformação do terreno entre a fortaleza ea cidade indígena impediu a visão entre os dois. Para o sul da fortaleza estava desenvolvendo uma cidade bastante grande habitada por portugueses casados ​​e cristãos indígenas, este foi cercada por um muro de “de taipa muito forte“. O porto em frente ao castelo é descrito como um porto pobre, porque a barreira de rochas e corais impede aos barcos maiores (“que demandem mais altura que duas braças de agoa“) o passagem. Entre as montanhas da ilha e a fortaleza, em um “outeiro alto“, os Portugueses tinham construído um baluarte onde tinham colocado algumas peças de artilharia. 8

NOTAS:

1 Jacobs, H. “A treatise on the Moluccas (c. 1544)” p. 211

2 Jacobs, H. “A treatise on the Moluccas (c. 1544)” p. 235

3 Gaspar Correia “Lendas da India”, vol. II pp. 714-715

4 Fernão Lopes de Castanheda “História do descobrimento e conquista da Índia pelos portugueses” Livro VI, cap. 128, pp. 358-359. Ver também: Gaspar Correa “Lendas da India” vol. II p. 996

5 Jacobs, H. “A treatise on the Moluccas (c. 1544)” p. 287

6 Jacobs, H. “A treatise on the Moluccas (c. 1544)” p. 289-291

7 Jacobs, H. “A treatise on the Moluccas (c. 1544)” p. 293-299)

8 “Livro das cidades e fortalezas que a coroa de Portugal tem nas partes da India …” foglio 64v. Este “outeiro alto” poderia ser o mesmo lugar onde os espanhóis construíram a fortaleza Fuerza Nueva.

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